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Terça-feira, 18 de Agosto 2026
Rondônia

Com poucos recursos e nomes de menor projeção, MDB encara campanha difícil em Rondônia

Pedro Abib deve contar com cerca de R$ 1 milhão para a disputa pelo Governo, enquanto candidatos a deputado federal podem receber bem menos do que o inicialmente esperado

Em Foco Rondônia
Por Em Foco Rondônia
Com poucos recursos e nomes de menor projeção, MDB encara campanha difícil em Rondônia
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Os tempos mudaram para o MDB em Rondônia. Partido que durante décadas esteve entre as principais forças políticas do Estado, elegendo governadores, senadores, deputados federais e estaduais, a legenda chega à atual campanha enfrentando um cenário bem diferente: poucos recursos, divisão interna e dificuldades para apresentar nomes de grande projeção eleitoral.

O primeiro sinal de alerta está justamente na campanha majoritária. O candidato do partido ao Governo de Rondônia, o empresário da área da Educação e professor Pedro Abib, deve receber algo em torno de R$ 1 milhão para financiar sua campanha.

A informação, segundo fontes ligadas ao próprio MDB, já teria chegado ao conhecimento do candidato. Inicialmente, a expectativa era de que aproximadamente R$ 2 milhões fossem destinados à candidatura de Abib.

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Caso o montante de R$ 1 milhão seja confirmado, será uma estrutura financeira bastante enxuta para uma campanha ao Governo, considerando as dimensões territoriais de Rondônia, os custos de deslocamento, produção de material, publicidade, equipes e demais despesas necessárias para uma candidatura majoritária competitiva.

Mesmo diante da perspectiva de recursos menores, Pedro Abib mantém a candidatura e, segundo interlocutores, pretende seguir percorrendo o Estado e trabalhando para apresentar seu projeto ao eleitorado.

Fundo milionário, fatia pequena para Rondônia

A situação chama ainda mais atenção diante do volume de recursos administrado nacionalmente pelo MDB. Embora o partido disponha de uma parcela expressiva do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, a expectativa dentro da legenda em Rondônia é de que apenas uma pequena fração chegue ao Estado.

E a dificuldade financeira não estaria restrita à candidatura ao Governo.

Os candidatos do MDB à Câmara dos Deputados também podem precisar fazer uma campanha muito mais econômica do que inicialmente imaginavam.

Nos bastidores, a expectativa inicial era de que cada um dos nove candidatos a deputado federal pudesse receber aproximadamente R$ 1 milhão. Agora, porém, a informação que circula internamente é de que os valores podem ficar próximos de R$ 300 mil por candidato.

A redução seria significativa e já estaria provocando insatisfação.

Segundo informações de bastidores, haveria inclusive candidatos aprovados na convenção partidária avaliando desistir da disputa diante da diferença entre a estrutura inicialmente esperada e aquela que efetivamente poderá ser disponibilizada.

Longe dos tempos de protagonismo

O cenário contrasta com a própria história do MDB em Rondônia.

Durante décadas, a sigla esteve no centro das principais disputas políticas do Estado. Elegeu governadores, senadores e construiu bancadas importantes tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa.

Agora, entra em uma eleição na qual terá de superar não apenas a limitação financeira, mas também outro problema importante: a ausência de uma quantidade maior de nomes eleitoralmente consolidados em suas nominatas proporcionais.

Com candidaturas menos conhecidas do grande público e um partido que chega à campanha dividido, a missão de conquistar cadeiras na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa se torna ainda mais complicada.

Esperança no Senado vem de fora do MDB

Curiosamente, uma das principais apostas políticas do MDB nesta eleição sequer pertence aos seus quadros.

Na disputa pelo Senado, a legenda está alinhada ao ex-senador Acir Gurgacz, do PDT, que recebe o apoio dos emedebistas.

A aliança demonstra o tamanho da mudança vivida pelo partido. Uma legenda que em outros momentos teve musculatura suficiente para protagonizar praticamente todas as principais disputas eleitorais de Rondônia chega agora à campanha depositando parte importante de suas expectativas em uma candidatura de um partido aliado.

O MDB continua carregando uma das histórias mais relevantes da política rondoniense. Mas tradição, sozinha, não ganha eleição.

Com recursos abaixo das expectativas, candidaturas proporcionais de menor projeção e dificuldades internas, o partido entra em uma das campanhas mais desafiadoras de sua história recente em Rondônia.

Se não conseguir transformar sua estrutura partidária e seu legado político em votos, o MDB poderá sair das urnas significativamente menor do que entrou — consolidando um processo de perda de protagonismo que, há alguns anos, seria difícil imaginar para uma das legendas que já comandou a política do Estado.

FONTE/CRÉDITOS: Alan Drumond

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