O ex-prefeito da capital por dois mandatos e pré-candidato ao Governo do Estado, Hildon Chaves (Federação União Progressistas), denunciou o gasto desnecessário de recursos públicos na “desduplicação” da Estrada dos Periquitos, importante via que dá acesso a regiões populosas da capital. A obra do prefeito Léo Moraes já consumiu mais de R$ 700 mil e entrou na mira do Tribunal de Contas do Estado, que notificou o presidente da EMDUR para explicar diversos vícios na sua execução.
“Esse é um exemplo típico de quando a população escolhe um gestor inexperiente ou despreparado, o resultado de um voto ruim é dinheiro público jogado pela janela”, afirmou Hildon Chaves. “Essa obra em particular é de uma burrice sem tamanho”, disparou Hildon, que pediu ao atual prefeito que “pare tudo imediatamente, até por uma questão de bom senso”.
“Quando fui prefeito da capital, duplicamos a Estrada dos Periquitos e fizemos todas as obras de urbanização, incluindo a construção de uma pista para caminhadas, além de calçadas e ajardinamento do local, que passou a ser chamado pela população de um “mini-espaço de convivência”, lembrou Hildon. “A obra foi feita para dar maior segurança e facilitar o acesso de quem transita pela região”, justificou.
Hildon criou um neologismo para tentar explicar o que Léo Moraes tentou fazer agora. “A palavra “desduplicação” não existe no dicionário, mas parece que se encaixa muito bem nesse caso”, analisou. Léo Moraes decidiu fazer um canteiro central e deixar a estrada novamente em mão única. Comerciantes, pedestres e motoristas reclamam da obra. “Os meus clientes agora não tem onde estacionar”, revelou a dona de um espetinho. “Os ciclistas e as pessoas que se exercitavam por aqui ficaram expostas ao trânsito e estão se sentindo inseguras”, relatou um usuário. “Fizeram um canteiro central que não tem serventia nenhuma”, afirmou um motorista.
TRIBUNAL DE CONTAS
O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), por meio do conselheiro Paulo Curi Neto, expediu citação ao presidente da Empresa de Desenvolvimento Urbano (EMDUR), Bruno Holanda, para explicar a deliberação da execução de serviços na Estrada dos Periquitos, em Porto Velho, sem a prévia elaboração do Estudo Técnico Preliminar.
O TCE quer explicações da EMDUR acerca do início da execução da obra com base em anteprojeto incompleto e sem projeto executivo, autorizando as primeiras demolições com elementos essenciais de projeto ainda indefinidos e antes mesmo da instauração do processo administrativo destinado a produzir os projetos, em possível afronta a Lei Federal n. 14.133/2021.
O TCE quer, ainda, explicações pelo fato do gestor “dar causa, em tese, ao emprego de recursos públicos em intervenção desprovida de planejamento e projeto adequados, sem capacidade de atender ao fim a que se destinava, com estimativa preliminar de repercussão financeira no montante de R$ 709.674,55”. A decisão monocrática foi publicada no dia 13 de julho, no Diário Oficial do TCE.
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