A escassez de vagas em hospitais da rede estadual tem ampliado a pressão sobre o sistema público de saúde em Porto Velho. Sem leitos disponíveis para internação e procedimentos de alta complexidade, pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) acabam permanecendo nas unidades municipais por vários dias, aguardando transferência para hospitais estaduais.
O principal impacto é sentido no Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, referência estadual para atendimentos de urgência, emergência e casos de alta complexidade. A unidade recebe pacientes de diversas regiões de Rondônia e enfrenta dificuldades para absorver toda a demanda, o que acaba retardando a liberação de vagas para novos encaminhamentos.
Falta de leitos afeta atendimento nas UPAs
As UPAs foram projetadas para realizar o atendimento inicial, estabilizar pacientes e encaminhá-los, quando necessário, para hospitais de referência. No entanto, diante da indisponibilidade de vagas na rede estadual, muitos pacientes permanecem internados nas unidades por períodos superiores ao previsto.
Esse cenário reduz a capacidade operacional das UPAs, que passam a manter leitos ocupados por pacientes que aguardam regulação para hospitais, comprometendo o atendimento de novos casos de urgência e emergência.
Como os procedimentos cirúrgicos e os atendimentos de alta complexidade são atribuições da rede estadual de saúde, a limitação na oferta de leitos acaba gerando reflexos diretos na estrutura municipal.
Investimentos municipais enfrentam limite da rede estadual
Nos últimos meses, a Prefeitura de Porto Velho tem anunciado investimentos em infraestrutura, ampliação de serviços e melhorias na rede municipal de saúde. Entretanto, a continuidade do fluxo de atendimento depende da disponibilidade de vagas nos hospitais administrados pelo Governo de Rondônia, responsáveis pelas internações e procedimentos especializados.
Com a demora nas transferências, pacientes permanecem nas UPAs além do período recomendado, enquanto novos usuários encontram unidades com capacidade reduzida para atendimento.
Hospital Municipal é apontado como alternativa
A expectativa da administração municipal é que parte desse problema seja minimizada com a entrada em funcionamento do Hospital Municipal de Porto Velho, prevista para 2027.
A futura unidade deverá realizar internações, procedimentos cirúrgicos e outros atendimentos hospitalares, ampliando a capacidade da rede municipal e reduzindo a dependência das vagas disponibilizadas pelo Estado para parte da demanda atualmente encaminhada ao Hospital João Paulo II.
Até que a nova estrutura entre em operação, o desafio permanece na integração entre as redes municipal e estadual para garantir maior agilidade nas transferências e evitar a permanência prolongada de pacientes nas UPAs.
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